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Que destino ou maldição
Manda em nós, meu coração
Um do outro, assim perdidos
Somos dois gritos calados
Dois fados desencontrados
Dois amantes desunidos
Nesta luta, nesta agonia
canto e choro de alegria
sou feliz e desgraçada
Que sina a tua meu peito
Que nunca estás satisfeito
Que dás tudo e não tens nada
Ai gelada solidão
Que tu me dás coração
não é vida nem é morte
É lucidez, desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte.
Alfredo Marceneiro / David Mourão-Ferreira
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