|
Que dor, ai Senhora do tempo,
que fizeste de mim, que fizeste de nós;
quebraste o feitiço das horas,
e sem mais demoras ficámos a sós.
Que dor, ai Senhora dos partos.
meus seios estão fartos de água a correr;
Senhora, porque morro agora,
de mágoa no ventre quando vou nascer;
Quisera eu voltar atrás,
envolver meus pedaços na bruma
loucamente;
quisera eu sentir a paz,
arrancar das entranhas o céu;
Que dor, ai Sehora dos loucos,
meus passos são poucos, pouca a minha fé;
Senhora, arrancai esta dor,
estes traços de amor e os laços até;
Que dor, Senhora dos aflitos,
cessai estes gritos, quebrai este nó;
Senhora, por fim nasço agora
e aprendo a ser só, aprendo a ser só...
Quisera eu voltar atrás,
resgatar meus pedaços da bruma mansamente;
quisera eu sentir a paz,
arrancar das entranhas o céu;
Que dor, ai Senhora serena,
levai minha pena
sarai minha tez;
Senhora, Senhora dos passos,
vou abrir os braços e amar outra vez.
Dulce Pontes / Dulce Pontes
|