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Já vai nascer
a madrugada
enche-se lenta
já tão desmamada
E é um poema
que eu sinto em mim
na tua presença
o principio do fim
Vai de mansinho aconchegada
sem pão meu linho
na casa tão só
ai na casa-mínho
já ao pé do rio
em desvario vai
buscar seu nome
Fui de mansinho, de madrugada
fiz meu ninho de ave quebrada
Teci um vestido, do mais puro linho
não me viram tão só
e ainda me espero
Longe já vai, o tempo que fomos
nos conchecemos palhaços e bobos
mas são notas soltas, sem mais solidão
meu ser se debruça ao sentir pulsar
seu própio coração
São voltas loucas, endiabradas
as voltas da vida, ausentes de estradas
tão somente vamos a caminhar
e num suave compasso, podemos sonhar
De barro e pão se faz o caminho
e o coração já refaz o seu ninho
ai por Deus já me viste
ai por Deus e o é
por dentro de peito uma caixa de pó.
Leonardo Amuedo / Dulce Pontes
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